terça-feira, 28 de abril de 2009
sábado, 25 de abril de 2009
Antes, agora e ...
Por: Janaína Valadares Torres e Rômulo Lacana
De quando em quando um quê do que não era ontem.
Vislumbres de estradas, edifícios, e uma pequena moradia mal cuidada
Ainda consigo gritar, gritos de silêncio amontoado de barulhos secretos
Me saúda o sol. Separo minhas cores e me apego às formas
Fogo que assa e aquece novos horizontes e ideais
Sustenta no corpo a esperança do novo ar e da nova luz
A fé supera todo o resto (que me recorde em que tinha fé)
Creio que posso voar? Creio que posso finalmente me libertar?
Prefiro acreditar, isso parece fazer sentido
Assim o corpo levita, posso sentir o sangue que um dia quase secara.
Sou um pendulo em processo de agitação, como saber quem eu sou?
Se eu sou um corpo em inércia e rebelião?
Sou rio vivo de águas claras, mas sou também um poço de indecisão
De muitas águas sou feita,
Posso beber essa água para me purificar, ou simplesmente jogá-la terra abaixo
Procuro não recuar, simplesmente fluo como um rio
e flutuo como um barco que me levará exatamente aonde devo chegar
Passei por muitos lugares, sem saber exatamente o porquê, ali quis permanecer.
Mas estagnar é proibido é preciso continuar.
O hoje é como o amanhã, um intervalo de reticências
Nas reticências da vida me encontro,
alí naquela moradia mal cuidada, cheia de silêncios e barulhos secretos
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Lispector
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais fortes, dos cafés mais amargos, dos pensamentos mais complexos e dos sentimentos mais intensos.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
E daí? Eu adoro voar...
Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração.
Não me façam ser quem não sou.
Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente.
Não sei amar pela metade.
Não sei viver de mentira.
Não sei voar de pés no chão.
Sou sempre eu mesmo, mas com certeza não serei a mesma para sempre...
(Clarice Lispector)
