Finalmente a Felicidade bate na minha porta, olhei desconfiada pelo olho mágico, e vi que era ela mesmo. Por alguns minutos tive receio que não fosse ela de verdade. Há rumores que muitos se disfarçam de Dona Felicidade apenas para iludir as pessoas.
Pensei comigo mesma:
- Será que é ela mesmo? E se não for?
Após alguns minutos me convenci. Era a Felicidade. Abri a porta, olhei para ela extasiada, era a coisa mais linda que meus olhos já puderam enxergar. Faltava-me palavras, mas, timidamente eu a convidei para entrar, não sabia como tratar uma visita tão honrosa, pedi que se ajeitasse no sofá e ficasse a vontade, trouxe água e um pouco de comida. Então começamos a conversar, ela me contou sobre as suas viagens pelo mundo, sobre o poder que tinha de transformar a vida das pessoas, e como essas pessoas diziam que a vida era boa por serem felizes. Imediatamente me senti inundada por aquele sentimento de alegria, eu não conseguiria descrever por meio de palavras, foi possível me sentir como se estivesse em um paraíso, não existia mais nada no mundo além de mim e aquele sentimento maravilhoso de alegria.
A campainha tocou novamente, eu relutante fui atender. Não queria de forma alguma deixar a felicidade de lado. Dessa vez para agilizar nem olhei no olho mágico, abri rapidamente, era a Razão.
A Razão é uma pessoa gente boa e sensata na maioria das vezes, mas às vezes é muito neurótica, mas sempre confiei em seu discernimento. Quando viu a felicidade sentada no sofá, ela entrou e sentou-se conosco, e perguntou sobre o que falávamos. Inteiramos-na no assunto o que a deixou um pouco incomodada, então ela perguntou à Felicidade:
- Como você pode dizer tudo isso a ela? Não sabe que essa menina é um ser humano?
Ela está viva e assim como ela tudo o que é vivo está suscetível a findar em algum momento.
Subitamente o Medo invadiu a minha sala. Engraçado como ele sempre se intromete aonde não é chamado. Gritando desesperado, ele me perguntava e afirmava em tom de autoridade:
- Menina, você não percebe que esse sentimento não durará para sempre!? A Felicidade irá se levantar deste sofá e irá embora, quando menos esperar. Não se iluda! Ela não ficará para sempre em sua casa, além disso, pode ser que daqui uns dias ela nem se lembre de quem você é, ou aonde você mora. Dizem por aí que ela é muito passageira. Sou eu, a pessoa que sempre está contigo, te guiando por teus caminhos, aconselhando-te e fazendo companhia naqueles momentos que mais precisa. Agora de uma hora para outra decide acreditar em alguém que te visitou apenas uma vez em toda a sua existência, apenas pelo fato de acreditar nos rumores que ela é capaz de transformar a vida das pessoas?
Até então, não tinha percebido que o Medo trazia consigo uma amiga que assistia todo aquele apelo com atenção e balançava a cabeça afirmativamente a cada palavra proferida, concordando com tudo aquilo que o amigo falava. Seu nome era Tristeza, ela era muito calada, não manifestou uma palavra sequer, mas, a forma como me olhava me despertava um sentimento terrível de angústia que começou a tomar meu ser e percorrer todo o meu corpo. Entretanto, certo momento, percebi que a angústia resolveu se alojar no meu coração. Senti o coração apertar, como quando se aperta uma bucha de banho para retirar o excesso de água ou quando se torce uma roupa molhada para posteriormente estendê-la no varal.
O paraíso que eu tinha experimentado vivenciar alguns minutos atrás transformou-se em inferno. Faltou cores, tudo parecia nublado. Eu não queria de forma alguma que a Felicidade fosse embora, não queria me separar dela nunca mais. Ela foi a visita mais agradável que já tinha tido o prazer de receber em minha casa. Por outro lado, eu não queria expulsar os dois invasores da minha casa. Afinal de contas por muitos e muitos anos eles sempre foram muito bem vindos. De alguma forma eu acreditava que aqueles dois só estavam tentando me ajudar.
Então comecei a acreditar nas palavras do Medo, ele tinha conseguido me convencer com seu argumento. Apesar dele ser sempre intrometido, diariamente me fazia visitas, às vezes até mais de uma no mesmo dia, estava tão acostumada com sua presença e os seus palpites! Ele tinha a liberdade de entrar em minha casa a hora que quisesse. Ás vezes eu me incomodava com a folga daquele ser dentro de minha casa, querendo me controlar, dirigir a minha vida como se fosse o dono dela. Mas eu nunca falava para ele, pois, eu acreditava que ele era um amigo que queria apenas me proteger de qualquer mal.
Não posso negar que o Medo já me ajudou em muitas situações, se não fosse seu instinto de proteção e segurança eu não estaria viva para contar. Mas percebi que muitas vezes ele exagerava, começou se tornar alguém extremamente invasivo e controlador. Suas visitas já não eram tão agradáveis, como foram nas vezes que me salvou de algum perigo. Mas eu não conseguia expulsar ele da minha casa quando estava sendo muito chato.
Agora tinha conhecido a Felicidade, e em apenas alguns minutos ela conseguiu me fazer sentir como jamais o Medo tinha conseguido. No entanto, tudo que eu conseguia lembrar neste momento eram os alertas do meu amigo, ela iria embora a qualquer momento, e seria muito penoso perder algo tão bom na minha vida – perder algo já é ruim, perder algo tão bom é assustador. Já que ela era tão passageira eu não poderia me permitir me acostumar ou esperar suas visitas. Eu devia expulsá-la rapidamente da minha vida. Mas uma coisa eu tinha em mente, eu não queria esquecer nunca mais o que senti apenas com sua presença.
Enquanto eu me perdia na vastidão dos meus pensamentos, o Medo e a Felicidade começaram a discutir, se desentenderam, e pararam de se falar. O silencio se fez no recinto.
Quando a Razão percebeu aquele silêncio ensurdecedor ela tomou a palavra:
- Eu tenho a plena consciência que eu falei que tudo está suscetível a acabar um dia, que a Felicidade é passageira e que o Medo quer apenas lhe proteger de qualquer espécie de sofrimento. Mas você acha válido se contentar apenas com a opinião do Medo, e viver sempre se protegendo, expulsar a Felicidade da sua vida, perdendo assim a oportunidade de ter o prazer de suas visitas, mesmo que elas não sejam eternas?
E continuou:
- Você percebeu que a Tristeza já tomou conta da sua casa, está deitada na sua cama neste momento? Vou lhe dar um conselho, menina. Você quer mesmo que a Felicidade faça parte de sua vida, não quer?
Eu respondi rapidamente, sem proferir uma só palavra, apenas balançando a cabeça afirmativamente. Então a razão prosseguiu:
- Trata de expulsar completamente a Tristeza da sua casa imediatamente. Comece a ser sincera quando o Medo estiver invadindo demais o seu espaço e lhe impedindo de viver, saiba que ele vai sempre estar ao seu lado para lhe proteger e alertar sobre os perigos. Isso é ótimo! Mas não em todas as situações, às vezes ele se cobra tanto para não permitir que aconteça nada de ruim a você, que ele começa a colocar idéias na sua cabeça que não permite que aconteça nada de bom também.
O medo tentou se defender, mas a razão falou rapidamente:
- Espere aí medo, todos nós sabemos que você nem mesmo foi convidado a entrar nesta casa, você já falou demais hoje, deixe a Felicidade falar um pouco também.
A Felicidade tomou fôlego e falou mais alto do que qualquer pessoa tinha dito naquela sala:
- Menina, você sabe que a vida é feita de escolhas. Eu realmente não estarei para sempre na sua sala, mas sempre que me chamar e estiver bem distante do Medo já que estamos brigados, lhe farei visitas. Não poderei ficar para sempre, mas, enquanto se lembrar de como é bom ser feliz, com a liberdade que o Medo não consegue lhe proporcionar, você conseguirá sentir a minha presença mesmo que eu esteja bem distante. Não permita que o Medo lhe controle tanto, quando tememos algo deixamos de tentar, nunca se perde nem sofre nada com isso, mas também nada se ganha. E onde não se ganha eu não posso estar, pois eu gosto de estar onde as pessoas avançam sempre. Eu sou o oposto do medo, eu sou livre, eu sou corajosa e eu gosto de arriscar, não gosto de vê-la tão presa, tão protegida. Por uma questão de pura afinidade procuro visitar aquelas corajosas que têm coragem de se lançar na vida.
E finalizou com seriedade, mas não braveza, pois ela tinha um leve sorriso no rosto:
- A escolha é sua.
Naquele momento eu entendi o que estava em jogo. Percebi o quanto o Medo estava influenciando a presença da Felicidade em minha vida. Ele me protegia de tudo, mas ao mesmo tempo me fazia perder o pouco que eu tinha: a coragem de começar tudo do zero, de se levantar de cabeça erguida a cada queda. Ele sempre me dizia que era errado me arriscar, pois, não era nada seguro.
A Felicidade me ensinou uma lição maior, é preciso enfrentar as opiniões do Medo, e entender até que ponto ele está impedindo avançar. A razão me ajudaria nesta empreitada a entender realmente quando o medo pode me ajudar e quando ele pode atrapalhar, pois ela tem sabedoria e discernimento. Durante essa tumultuada e rápida visita pude aprender que quando pouco se tem não há nada a perder. Apenas o fato de tentar já é ganho pessoal. Quando se perde algo simultaneamente já ganha outra coisa – sabedoria, experiência, coragem...
Hoje em dia eu torço para que vidas não se percam ainda em vida. Que as portas estejam sempre abertas para a Felicidade e os olhos vigilantes para que o Medo não invada a casa das pessoas sem motivo lógico e justificado. A visita da Felicidade vale qualquer risco.
Janaína Valadares Torres 28/02/09
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Quando a Felicidade bateu na minha porta
Riqueza de viver
Estive pensando cada pessoa é diferente da outra em suas vivências na forma que atribui significado às coisas. As pessoas se guiam de acordo com seus próprios interesses. Um interesse é capaz de criar uma cadeia que levará a vários outros interesses.
Quando assisto a um filme, ouço uma banda ou pratico qualquer outra ação estabeleço determinadas pontes que estão interligadas com o meu repertório de vida, isso será carregado de significados únicos para mim. Enquanto que outra pessoa poderá fazer exatamente as mesmas coisas e ter significados totalmente diferentes ou não ver sentido algum pelo fato de nada daquilo fazer parte de sua realidade.
Considero-me uma pessoa nostálgica, não que eu seja uma pessoa que viva apenas no passado, mas estou sempre voltando às minhas raízes, relembrando as pessoas que me influenciaram, os lugares que estive, as atitudes que tive em cada época, as músicas que me marcaram de alguma forma, os filmes que assisti, as brincadeiras que fiz, as noites de sono que perdi, as vezes que sorri e as que chorei, pois eu sou tudo o que vivi. Tudo o que eu vivi servirá de repertório prévio me que ajudará a descobrir novos sentidos, e é ele que me guiará na procura de novos interesses e conseqüentemente novas vivências.
Cada pessoa tem o seu próprio universo particular. A riqueza de viver consiste em ser exatamente quem é. Por mais que cada um seja diferente do outro são nas diferenças que nos construímos, aprendemos a compartilhar visões, mundos e vidas diferentes, e só assim nos transformamos.
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Responsabilidade e autonomia
Muitas vezes já culpei pessoas que conviviam comigo pelo mal que circundava meus dias de vida. Na maioria das vezes eu não conseguia enxergar que a grande vilã da história era eu mesma. Mas a verdade é que é realmente muito mais fácil apontar o outro do que olhar para si mesmo.
Outro dia conversando com uns colegas, eles alegaram que quando algo os incomoda profundamente, a coisa mais difícil de se fazer é ficar sem fazer nada ou pensar na própria vida. É melhor esquecer do que tentar resolver, diz a maioria das pessoas. Então elas procuram abafar a voz que grita dentro si: procuram uma roupa bonita no guarda-roupa, liga para o primeiro que lembrar que pode fazê-la se sentir importante, coloca aquela maquiagem que esconde qualquer sinal de abatimento, arruma o cabelo, sai para alguma festa ou local público que tem muitas pessoas para notá-la, e torce para que receba um elogio de alguém.
Não sabemos nos ouvir. Sabemos ouvir ao outro. Quando o bebê nasce ele não consegue se enxergar, a primeira pessoa que ele visualiza é o outro. Mas o bebê reconhece a sua importância, e chora se esperneia para conseguir aquilo que precisa para sua sobrevivência sem medo algum que as pessoas a sua volta os odeie por aquele ato.
Criança ainda carrega um pouco disso de acreditar que é o centro do universo, pois é um ser extremamente egoísta, mas ela já consegue internalizar aquilo que as pessoas tentam passar. Se ela reivindica algo falam que é uma criança má. Se ela se comporta é uma criança boa. Em 23 anos de vida não foram poucas as vezes que escutei de pessoas que realmente me amam, “eu já passei por tudo o que você está passando”, “faça o que eu digo”, “você ainda é tão nova, me escute pois, um dia vai se arrepender”, “eu vivi mais eu sei o que é melhor para você.
Respeito extremamente os conselhos dos ditos mais vividos, mas existem certas coisas que eu não consigo digerir, pois, por mais que a pessoa tenha passado por situações semelhantes, nunca será exatamente igual, o contexto muda, as pessoas envolvidas mudam, e por ultimo e mais importante eu sou uma individualidade, eu me construí a partir de todas as situações que surgiram na minha vida, e ninguém sabe exatamente o que pode ser melhor para mim, ainda que tenham vivido coisas parecidas. Ainda há aqueles que mesmo sem ter vivido nada parecido se sentem no direito de aconselhar e acreditam que seus palpites ajudarão em algo, sem ter conhecimento do que representa cada pecinha da construção da vida alheia.
A verdade é que as pessoas nunca pararão de dar conselhos, julgar nossas condutas como certas ou erradas, nos elevar ou rebaixar e ainda assim existirá uma voz interior que falará por nós, ainda que não a escutemos, por uma questão cultural. Em meio a tanta dicotomia vamos nos construindo, infelizmente vamos deixando de lado aquilo que é essencial a nossa sobrevivência psíquica. Esquecemos de nos ouvir, nos respeitar e procurar dentro de nós mesmos aquilo que nos faz sentirmos bem, independente do que as outras pessoas acham. Ao abafar o som que grita dentro de nós viramos uma espécie de adultos com condutas infantis. É como se fossemos crianças que precisam ser guiadas pelos olhos dos outros, nossos olhos não nos servem para nada a não ser captar as impressões externas.
Para concluir recorro à velha sabedoria popular: “Não se pode agradar a todos”. E nem por isso devemos nos anular, tentar mudar, ou achar que tem algo errado conosco, porque algo não ocorre da maneira exata que queremos ou da maneira que querem. Somos quem podemos ser. E o primeiro passo para o amadurecimento é reconhecer de verdade “quem eu sou”, “porque eu sou”, para que não caiamos no erro de responsabilizar aos outros por mazelas que temos no nosso mundo interior. A partir daí podemos dirigir a vida com mais responsabilidade e autonomia.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Oração de Chico
Que eu exteriorize a vontade de amar, entendendo que amar não é sentimento de posse, é sentimento de doação; Que eu sustente a luz e o brilho no olhar, mesmo sabendo que muitas coisas que vejo no mundo, escurecem meus olhos; Que eu retroalimente minha garra, mesmo sabendo que a derrota e a perda são ingredientes tão fortes quanto o sucesso e a alegria; Que eu atenda sempre mais à minha intuição, que sinaliza o que de mais autêntico possuo; Que eu pratique sempre mais o sentimento de justiça, mesmo em meio à turbulência dos interesses;
Que eu não perca o meu forte abraço, e o distribua sempre; Que eu perpetue a beleza e o brilho de ver, mesmo sabendo que as lágrimas também brotam dos meus olhos; Que eu manifeste o amor por minha família, mesmo sabendo que ela muitas vezes me exige muito para manter sua harmonia; Que eu acalente a vontade de ser grande, mesmo sabendo que minha parcela de contribuição no mundo é pequena; E, acima de tudo... Que eu lembre sempre que todos nós fazemos parte desta maravilhosa teia chamada vida, criada por alguém bem superior a todos nós! E que as grandes mudanças não ocorrem por grandes feitos de alguns e, sim, nas pequenas parcelas cotidianas de todos nós!
Chico Xavier
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Esperança...

Sim devemos ter sim... acreditar que ainda podemos ser melhores.. perfeitos... ter confiança em si mesmo ajudar sempre o próximo... falar e fácil ...difícil é fazer... agente perde tanto tempo fazendo coisas futeis.. porque não aproveita o tempo para fazer o bem? deixar essa tristeza de lado que abala os corações... confiança fé em Deus.. bom .. o carnaval tá chegando pra muitos alegria... mais sera? festa.. curtiçao muitas garotas muitos garotos... sexo desregrado... alcool drogas... e isso e bom? o que agente ganha com isso? so ter um prazer físico não se importando com as responsabilidades... só por prazer... confesso por.. esperiência de vida que o amor é bem melhor... tenho esperança que daqui um tempo.. seremos melhores com certeza... "devemos viver no mundo sem ser do mundo"... blz.. gente juizo!!... não esqueça que tem alguem lá em cima que ora por ti..
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Tempo de crescer
Entrei no antro como de costume, passei pela roleta, pendurei a chave no porta-chaves, cumprimentei os donos e alguns conhecidos que estavam na recepção e lá fui eu. Suei, suei e por fim desisti. Pensei comigo mesma, abdominal pra que né? Já sou magrinha, está certo que estou criando uma barriguinha aqui, mas nada que um corte no consumo de refrigerantes e uma maneirada nas cervejas do fim de semana não resolvam. Melhor ir embora. Outro dia eu continuo.
Quando saí de lá eu simplesmente não sabia onde tinha estacionado o carro, devo ter dado umas 5 voltas pelo quarteirão, querendo acreditar que eu não tinha sido roubada. Eu não podia ter sido roubada. Até que cheguei a seguinte conclusão: FUI ROUBADA!
Não há sensação pior que ser roubada. Além do medo que percorre toda a espinha, invadem um espaço que era aparentemente seu, posse sua, e lhe retiram sem pedir permissão. O que sobra? o vazio, então é obrigado a voltar para casa de uma forma totalmente diferente da qual chegou.”.
Por: Enquanto eu dormia
Há dias em que acordamos com vontade de fazer algo diferente. Mas nada muito diferente, porque o diferente demais causa medo, desconforto e desencadeia um processo de ansiedade. Mas fazer algo que faça olhar para dentro de si e poder dizer com orgulho. “É acho que hoje eu fiz algo por mim”.
Mas essa coisa feita por mim e para mim não deve ser algo que fuja assustadoramente da minha rotina diária. Preciso fazer algo por mim, mas não quero sair da minha zona de conforto, aqui é tão seguro! Por que me arriscar?
A verdade é que nascemos, crescemos e SOMOS criados para sermos máquinas. Durante o nosso desenvolvimento infantil nossa educação é voltada para a obediência da autoridade maior: não sei se poderia ser diferente, a partir do momento que aceitamos viver em sociedade acatamos uma série de regras sociais, e justamente isso conduzirá o bom funcionamento do Estado. Portanto, NÃO OUSE QUEBRAR AS REGRAS.
Quando ingressamos na pré-escola e avançamos por todo o caminho de escolarização, aprendemos sobre a importância da rotina e das regras, os horários para comer, horários para brincar, horários para ficar calados, horários para fazer as tarefas, horários para ouvir os mestres, horários minúsculos para descanso.
Mas poucos são aqueles que nos ensinaram que existe o horário para se arriscar, a fazer diferente daquilo que mandam ou acreditam que seja melhor para nós. Poucos encorajam a descobrir o que realmente motiva aquele individuo e a acreditar na sua capacidade, ater ousadia e coragem para errar, cair e levantar. Mas tentar quantas vezes forem preciso até que se atinja algo com êxito.
Fui criada não apenas por pais super-protetores, mas a família inteira. Hoje quando vejo minhas primas cuidando de seus filhos, sem deixar brincar no chão, se esborrachar, explorar o ambiente perigoso da casa “sozinhos”, andar descalço mesmo com todos aqueles germes, pegar na terra, brincar com os animais. E os seus filhos nunca ouvirem um não quando realmente é preciso, pois, não pode-se ter tudo o que quer, consigo visualizar futuros adultos que sofrerão as conseqüências que eu adulta sofro hoje. A vida real fora do círculo familiar seguro não é fácil para quem não aprendeu desde cedo que você nunca vai ter o que quer exatamente na hora que quer como nossos pais fariam para nós.
1) Você vai viver situações que ninguém vai poder lhe proteger. Isso dá muito medo.
2) Você vai ter que ter coragem de explorar a vida se quiser sobreviver de maneira digna e útil. Será que seria capaz sem ajuda?
3) Vai se arrebentar todo. Vai chorar, vai sofrer, vai ouvir não de muitas pessoas, portas fecharão na sua cara. Nem tudo será exatamente como queremos.
Por fim, por não sabermos caminhar sozinhos, sem a aprovação daqueles que tanto nos protegeram, vamos desistindo, mas desistir é uma palavra que nem todos aceitam bem, então vamos adiando o que deve ser feito. Nós nos ROUBAMOS o direito de ter determinação para prosseguir mesmo com qualquer obstáculo que nos apareça no caminho. Nos ROUBAMOS o direito de confiar que podemos seguir em frente e atingir o “inatingível” mesmo que todos acreditem no contrário. Nos ROUBAMOS a coragem de tentar, mesmo que erremos milhões de vezes.
Por que somos mimados e fracos, não sabemos perder, e se não sabemos perder como podemos ter coragem de arriscar? Melhor mesmo é deixar para outro dia. Os dias vão passando e nossos sonhos deixados para trás enquanto que as rugas e os cabelos brancos começam a tomar posse de nossa jovialidade.
Assistimos a retirada de tudo que nos é mais precioso, mas podemos resgatar os atributos a qualquer momento, basta retomarmos nossa coragem em suportar tudo, saber arriscar quando houver boas oportunidades, estar pronto para derrotas e ter a certeza que sempre existirá inúmeros caminhos a serem trilhados nesta jornada chamada VIDA.
