Imagine acordar pós uma longa noite de sono e perceber que não consegue mexer nada além da própria cabeça! Pois bem, isso aconteceu comigo.
Já devia ser mais de meio dia, pois, o sol já repousava em minha cama como de costume sempre naquele mesmo horário. Abri os olhos, olhei todo o recinto como se aquele fosse o primeiro dia da minha existência, meus livros todos enfileirados na prateleira, as roupas jogadas no chão, as portas do guarda-roupa abertas, minha televisão desligada, o cachorro dormindo na beira da cama. Tudo tão estático, quando percebi que eu também me encontrava na mesma situação, concentrei-me em cada músculo do meu corpo, mas era inútil, eu simplesmente não conseguia me movimentar. Uma angustia atemorizante começou a tomar conta do meu ser, assim como segundos antes os objetos do meu quarto eram alvo de minhas observações, agora meu corpo não escapava do crivo de análise.
Nada fugiu do estudo, eu tinha mãos mas não podia pegar, eu tinha braços mas nada podia abraçar, imediatamente percebi o meu short rosa pink e é claro minhas pernas. Short de cor tão viva em pernas tão mortas!
Pensar em não conseguir passear livremente pelas ruas, pela casa, pela faculdade trouxe um grande pavor, mas como o ser humano costuma achar que as coisas ruins só acontecem com o vizinho e diante de uma tragédia a primeira opção é a negação, resolvi acreditar que toda aquela tolice não passava de um pesadelo, me forcei a dormir novamente, para acordar e nada daquilo ser real.
Bem, todos sabemos que o ser humano tem necessidades biológicas sendo que uma das principais fontes de energia é a alimentação. Acordei com fome, mas a minha situação continuava a mesma, não conseguia me mexer e agora tinha descoberto mais uma coisa que havia escapado da minha analise anteriormente citada, além de não poder me mexer não podia sequer falar. Tentei gritar a minha mãe, tudo em vão, a voz que um dia era tão forte havia desaparecido como passe de mágica.
Mil coisas se passaram por minha cabeça: o que eu faria da minha vida sem me movimentar? Sem falar? Sem exprimir os meus sentimentos para o mundo?
Dormi e acordei um monte de vezes com a mesma inquietação e sensação. Até chegar a conclusão que uma vida sem movimento/ação não é plenamente vivida, trata-se de uma vida “morrida”
Por: Enquanto eu dormia
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Vida "morrida"
terça-feira, 24 de novembro de 2009
lista de presença
A faculdade tem me saturado por inteiro. Hoje ao entrar na sala percebi que só tinha em mãos a chave do carro, aí pensei, quer saber, vou ser uma boa ouvinte foda-se meus materiais que devem estar no carro. Sentei como de costume sempre no mesmo lugar e lá permaneci. Chegou uma hora que já não aguentava mais a professora falando na minha cabeça, então tive a audácia de interromper a aula dela e pedir por um intervalo. Ela concedeu 10 minutos, que pude utilizar para acertar umas pendências das minhas horas acadêmicas na coordenação do curso.
A mulher que trabalha lá, me perguntou se eu a conhecia pois nunca tinha me visto lá na faculdade, de fato, fujo de qualquer tipo de burocracia. Eu a conhecia, mas, nunca tinha parado para conversar com ela. Então ela me perguntou com o que eu trabalhava porque a minha cara estava exausta, eu simplesmente não consegui responder, porque eu não trabalho, e que direito quem não trabalha tem de ficar cansado? Mas eu pensei, eu vivo, e tem sido mais difícil que qualquer coisa... depois pensei, eu vivo mesmo? Resolvi finalizar meu monólogo de pensamentos por ali ao mesmo tempo que falei tchau e deixei o recinto.
De volta a aula tediante, como tem gente que gosta de falar, como fui parar na carreira de professor? Nem de falar eu gosto. Mas enfim, as horas não passavam, a cada cinco minutos eu perguntava a minha colega que horas eram, pensando que já se haviam passado no mínimo 30 minutos, tudo a espera da maldita lista de presença. A essa altura do campeonato ser reprovada nessa disciplina seria triste, ouvir o mesmo falatório um ano inteiro.
Aeeeeee a lista começou a correr, já vou tirando a chave do bolso, mas antes vou averiguar se estou estourada em faltas, que legal, faltei o ano inteiro, mas só tinha registradas umas 14, hipocrisia ou não até me esqueço da lista. Eis que ela surge na minha frente, eu não tinha levado material, e pronuncio apenas as seguintes palavras "me passem a lista quero assinar"
Uma colega já sai esbravejando, ah não não vou emprestar caneta nenhuma não! Minha única reação foi dizer: "SUA GROSSA, não pedi caneta nenhuma sua não, quem vai de carona comigo vai me emprestar"
Sei que ela tentou dissimular a grosseria mas já era tarde demais, eu ja tinha perdido toda a paciencia que eu podia ter em um dia que passou em função de uma simples lista de presença.