Este blog tem como objetivo principal o respeito da diversidade e subjetividade de cada um. Livre pensamento, liberdade de expressão é o lema defendido por nós.
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Vida "morrida"

Imagine acordar pós uma longa noite de sono e perceber que não consegue mexer nada além da própria cabeça! Pois bem, isso aconteceu comigo.
Já devia ser mais de meio dia, pois, o sol já repousava em minha cama como de costume sempre naquele mesmo horário. Abri os olhos, olhei todo o recinto como se aquele fosse o primeiro dia da minha existência, meus livros todos enfileirados na prateleira, as roupas jogadas no chão, as portas do guarda-roupa abertas, minha televisão desligada, o cachorro dormindo na beira da cama. Tudo tão estático, quando percebi que eu também me encontrava na mesma situação, concentrei-me em cada músculo do meu corpo, mas era inútil, eu simplesmente não conseguia me movimentar. Uma angustia atemorizante começou a tomar conta do meu ser, assim como segundos antes os objetos do meu quarto eram alvo de minhas observações, agora meu corpo não escapava do crivo de análise.
Nada fugiu do estudo, eu tinha mãos mas não podia pegar, eu tinha braços mas nada podia abraçar, imediatamente percebi o meu short rosa pink e é claro minhas pernas. Short de cor tão viva em pernas tão mortas!
Pensar em não conseguir passear livremente pelas ruas, pela casa, pela faculdade trouxe um grande pavor, mas como o ser humano costuma achar que as coisas ruins só acontecem com o vizinho e diante de uma tragédia a primeira opção é a negação, resolvi acreditar que toda aquela tolice não passava de um pesadelo, me forcei a dormir novamente, para acordar e nada daquilo ser real.
Bem, todos sabemos que o ser humano tem necessidades biológicas sendo que uma das principais fontes de energia é a alimentação. Acordei com fome, mas a minha situação continuava a mesma, não conseguia me mexer e agora tinha descoberto mais uma coisa que havia escapado da minha analise anteriormente citada, além de não poder me mexer não podia sequer falar. Tentei gritar a minha mãe, tudo em vão, a voz que um dia era tão forte havia desaparecido como passe de mágica.
Mil coisas se passaram por minha cabeça: o que eu faria da minha vida sem me movimentar? Sem falar? Sem exprimir os meus sentimentos para o mundo?
Dormi e acordei um monte de vezes com a mesma inquietação e sensação. Até chegar a conclusão que uma vida sem movimento/ação não é plenamente vivida, trata-se de uma vida “morrida”

Por: Enquanto eu dormia

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