Entre o ser e o nada, sou alguém que luta, grita, dança, chora, sorri, sofre, vai e volta constantemente. Sou assim, contraditório, talvez por não ter me encontrado como pessoa, contudo, confesso que busco deparar comigo mesmo invariavelmente.
Vivo no tempo, claro, não poderia ser diferente, mas não gosto de contar minutos e segundos, por isso, às vezes faço com que o tempo não exista para mim, mas ele sempre vem e me prova que não há como existir dessa forma, é uma pitada de razão para a parte de mim que às vezes é só emoção, gosto quando Fernando Pessoa nos diz que:
“[...]E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.”
É isso, um coração que vai entretendo a razão e que, por isso, vez por outra se depara com a realidade amarga. Acho que vai sendo sempre assim, nem razão, nem emoção, mas o que sobra da eclosão de ambas, às vezes é doce, às vezes sério, outras frívolo, amargo, mas o embate é um fato da vida, a única saída é mudarmos a forma de encará-lo, não há outra.
Pelo menos fomos condenados a ser livres, dura condenação, mas também bela, necessária e em boa hora. Doce herança do iluminismo.
Estou com Eduardo Gianetti, filósofo paulista, quando diz que o projeto iluminista falhou quanto à felicidade humana, porque não se completou, ou melhor, não teve braços fortes para segurar o drama da existência, embora tenha prometido.
Até mesmo o Iluminismo falhou, nós falhamos.
Precisamos trocar velhas roupas, mudar hábitos, representar é a forma de que temos para suprimir a tristeza do eu.
domingo, 7 de março de 2010
Entre o ser e o nada
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17:18 | by Adriano
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