Este blog tem como objetivo principal o respeito da diversidade e subjetividade de cada um. Livre pensamento, liberdade de expressão é o lema defendido por nós.
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Tempo de crescer

“Certo dia, acordei pela manhã com um pouco de disposição para ir para a academia. Acho que nem comi nada direito, peguei meu carro e lá fui em direção à tortura. Dias de malhar braços sempre me irritaram profundamente.

Entrei no antro como de costume, passei pela roleta, pendurei a chave no porta-chaves, cumprimentei os donos e alguns conhecidos que estavam na recepção e lá fui eu. Suei, suei e por fim desisti. Pensei comigo mesma, abdominal pra que né? Já sou magrinha, está certo que estou criando uma barriguinha aqui, mas nada que um corte no consumo de refrigerantes e uma maneirada nas cervejas do fim de semana não resolvam. Melhor ir embora. Outro dia eu continuo.

Quando saí de lá eu simplesmente não sabia onde tinha estacionado o carro, devo ter dado umas 5 voltas pelo quarteirão, querendo acreditar que eu não tinha sido roubada. Eu não podia ter sido roubada. Até que cheguei a seguinte conclusão: FUI ROUBADA!

Não há sensação pior que ser roubada. Além do medo que percorre toda a espinha, invadem um espaço que era aparentemente seu, posse sua, e lhe retiram sem pedir permissão. O que sobra? o vazio, então é obrigado a voltar para casa de uma forma totalmente diferente da qual chegou.”.

Por: Enquanto eu dormia
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Há dias em que acordamos com vontade de fazer algo diferente. Mas nada muito diferente, porque o diferente demais causa medo, desconforto e desencadeia um processo de ansiedade. Mas fazer algo que faça olhar para dentro de si e poder dizer com orgulho. “É acho que hoje eu fiz algo por mim”.

Mas essa coisa feita por mim e para mim não deve ser algo que fuja assustadoramente da minha rotina diária. Preciso fazer algo por mim, mas não quero sair da minha zona de conforto, aqui é tão seguro! Por que me arriscar?

A verdade é que nascemos, crescemos e SOMOS criados para sermos máquinas. Durante o nosso desenvolvimento infantil nossa educação é voltada para a obediência da autoridade maior: não sei se poderia ser diferente, a partir do momento que aceitamos viver em sociedade acatamos uma série de regras sociais, e justamente isso conduzirá o bom funcionamento do Estado. Portanto, NÃO OUSE QUEBRAR AS REGRAS.

Quando ingressamos na pré-escola e avançamos por todo o caminho de escolarização, aprendemos sobre a importância da rotina e das regras, os horários para comer, horários para brincar, horários para ficar calados, horários para fazer as tarefas, horários para ouvir os mestres, horários minúsculos para descanso.

Mas poucos são aqueles que nos ensinaram que existe o horário para se arriscar, a fazer diferente daquilo que mandam ou acreditam que seja melhor para nós. Poucos encorajam a descobrir o que realmente motiva aquele individuo e a acreditar na sua capacidade, ater ousadia e coragem para errar, cair e levantar. Mas tentar quantas vezes forem preciso até que se atinja algo com êxito.

Fui criada não apenas por pais super-protetores, mas a família inteira. Hoje quando vejo minhas primas cuidando de seus filhos, sem deixar brincar no chão, se esborrachar, explorar o ambiente perigoso da casa “sozinhos”, andar descalço mesmo com todos aqueles germes, pegar na terra, brincar com os animais. E os seus filhos nunca ouvirem um não quando realmente é preciso, pois, não pode-se ter tudo o que quer, consigo visualizar futuros adultos que sofrerão as conseqüências que eu adulta sofro hoje. A vida real fora do círculo familiar seguro não é fácil para quem não aprendeu desde cedo que você nunca vai ter o que quer exatamente na hora que quer como nossos pais fariam para nós.

1) Você vai viver situações que ninguém vai poder lhe proteger. Isso dá muito medo.
2) Você vai ter que ter coragem de explorar a vida se quiser sobreviver de maneira digna e útil. Será que seria capaz sem ajuda?
3) Vai se arrebentar todo. Vai chorar, vai sofrer, vai ouvir não de muitas pessoas, portas fecharão na sua cara. Nem tudo será exatamente como queremos.


Por fim, por não sabermos caminhar sozinhos, sem a aprovação daqueles que tanto nos protegeram, vamos desistindo, mas desistir é uma palavra que nem todos aceitam bem, então vamos adiando o que deve ser feito. Nós nos ROUBAMOS o direito de ter determinação para prosseguir mesmo com qualquer obstáculo que nos apareça no caminho. Nos ROUBAMOS o direito de confiar que podemos seguir em frente e atingir o “inatingível” mesmo que todos acreditem no contrário. Nos ROUBAMOS a coragem de tentar, mesmo que erremos milhões de vezes.

Por que somos mimados e fracos, não sabemos perder, e se não sabemos perder como podemos ter coragem de arriscar? Melhor mesmo é deixar para outro dia. Os dias vão passando e nossos sonhos deixados para trás enquanto que as rugas e os cabelos brancos começam a tomar posse de nossa jovialidade.

Assistimos a retirada de tudo que nos é mais precioso, mas podemos resgatar os atributos a qualquer momento, basta retomarmos nossa coragem em suportar tudo, saber arriscar quando houver boas oportunidades, estar pronto para derrotas e ter a certeza que sempre existirá inúmeros caminhos a serem trilhados nesta jornada chamada VIDA.

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