Este blog tem como objetivo principal o respeito da diversidade e subjetividade de cada um. Livre pensamento, liberdade de expressão é o lema defendido por nós.
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sábado, 21 de fevereiro de 2009

Responsabilidade e autonomia

Muitas vezes já culpei pessoas que conviviam comigo pelo mal que circundava meus dias de vida. Na maioria das vezes eu não conseguia enxergar que a grande vilã da história era eu mesma. Mas a verdade é que é realmente muito mais fácil apontar o outro do que olhar para si mesmo.

Outro dia conversando com uns colegas, eles alegaram que quando algo os incomoda profundamente, a coisa mais difícil de se fazer é ficar sem fazer nada ou pensar na própria vida. É melhor esquecer do que tentar resolver, diz a maioria das pessoas. Então elas procuram abafar a voz que grita dentro si: procuram uma roupa bonita no guarda-roupa, liga para o primeiro que lembrar que pode fazê-la se sentir importante, coloca aquela maquiagem que esconde qualquer sinal de abatimento, arruma o cabelo, sai para alguma festa ou local público que tem muitas pessoas para notá-la, e torce para que receba um elogio de alguém.

Não sabemos nos ouvir. Sabemos ouvir ao outro. Quando o bebê nasce ele não consegue se enxergar, a primeira pessoa que ele visualiza é o outro. Mas o bebê reconhece a sua importância, e chora se esperneia para conseguir aquilo que precisa para sua sobrevivência sem medo algum que as pessoas a sua volta os odeie por aquele ato.

Criança ainda carrega um pouco disso de acreditar que é o centro do universo, pois é um ser extremamente egoísta, mas ela já consegue internalizar aquilo que as pessoas tentam passar. Se ela reivindica algo falam que é uma criança má. Se ela se comporta é uma criança boa. Em 23 anos de vida não foram poucas as vezes que escutei de pessoas que realmente me amam, “eu já passei por tudo o que você está passando”, “faça o que eu digo”, “você ainda é tão nova, me escute pois, um dia vai se arrepender”, “eu vivi mais eu sei o que é melhor para você.

Respeito extremamente os conselhos dos ditos mais vividos, mas existem certas coisas que eu não consigo digerir, pois, por mais que a pessoa tenha passado por situações semelhantes, nunca será exatamente igual, o contexto muda, as pessoas envolvidas mudam, e por ultimo e mais importante eu sou uma individualidade, eu me construí a partir de todas as situações que surgiram na minha vida, e ninguém sabe exatamente o que pode ser melhor para mim, ainda que tenham vivido coisas parecidas. Ainda há aqueles que mesmo sem ter vivido nada parecido se sentem no direito de aconselhar e acreditam que seus palpites ajudarão em algo, sem ter conhecimento do que representa cada pecinha da construção da vida alheia.

A verdade é que as pessoas nunca pararão de dar conselhos, julgar nossas condutas como certas ou erradas, nos elevar ou rebaixar e ainda assim existirá uma voz interior que falará por nós, ainda que não a escutemos, por uma questão cultural. Em meio a tanta dicotomia vamos nos construindo, infelizmente vamos deixando de lado aquilo que é essencial a nossa sobrevivência psíquica. Esquecemos de nos ouvir, nos respeitar e procurar dentro de nós mesmos aquilo que nos faz sentirmos bem, independente do que as outras pessoas acham. Ao abafar o som que grita dentro de nós viramos uma espécie de adultos com condutas infantis. É como se fossemos crianças que precisam ser guiadas pelos olhos dos outros, nossos olhos não nos servem para nada a não ser captar as impressões externas.

Para concluir recorro à velha sabedoria popular: “Não se pode agradar a todos”. E nem por isso devemos nos anular, tentar mudar, ou achar que tem algo errado conosco, porque algo não ocorre da maneira exata que queremos ou da maneira que querem. Somos quem podemos ser. E o primeiro passo para o amadurecimento é reconhecer de verdade “quem eu sou”, “porque eu sou”, para que não caiamos no erro de responsabilizar aos outros por mazelas que temos no nosso mundo interior. A partir daí podemos dirigir a vida com mais responsabilidade e autonomia.

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